Nas últimas semanas o lema adotado por todos é o #VaiFicarTudoBem! … Será?!

Esta dúvida não se prende com nenhuma visão pessimista do futuro Pós Covid 19. Muito pelo contrário. Não duvido por um segundo sequer de que haverá vida, felicidade, alegria, abraços e muitos beijos após voltarmos a clicar no Play das nossas vidas. A grande questão é o que cada um de nós entende pelo #VaiFicarTudoBem.

Numa recente crónica, Seth Godin dizia que aqueles que esperam que #VaiFicarTudoBem signifique voltar para as suas vidas AC (Antes Covid), tal qual como elas eram, então possivelmente #NãoVaiFicarTudoBem. Ora, observando o que à minha volta se vai passando, entre amigos, conhecidos e anónimos, apercebo-me que a grande maioria das pessoas espera isso mesmo. Voltar a clicar no Play das suas vidas e retomá-las exatamente onde tinham parado. Isso não só poderá ser perigoso, pois muito provavelmente muito do que fazia parte da nossa vida já lá não estará, como representa uma enorme oportunidade perdida.

Bem sei que fomos educados e “treinados” a ver a nossa existência compartimentada. Nós, a natureza, as máquinas, os animais, o espaço….., como se cada parte não estivesse umbilicalmente ligada como um todo. Mas está. E foi essa incapacidade da humanidade perceber que não existe um Nós e Um Eles, que nos trouxe até aqui. Não foi o Pangolim, o Morcego ou o Macaco! Fomos todos Nós, nas nossas escolhas, decisões e atitudes do dia a dia.

E é por isso que esperar que o #VaiFicarTudoBem signifique voltar ao que era, poderá significar o nosso maior erro na história da humanidade.

Ofereceram-nos um modelo de sociedade assente no consumo desenfreado, para que pudéssemos aceder a um determinado nível de “conforto”, que nos permitisse transparecer uma falsa sensação de felicidade e realização. Este é um modelo apenas sustentável quando assente num crescimento e consumo exponencial, do qual apenas alguns beneficiam, enquanto os outros (a grande maioria do Nós) tem de continuar a consumir. Este modelo foi-nos oferecido e nós “comprámo-lo”.

Foi por isso que Pangolins, Macacos ou Morcegos começaram a ser criados em massa e vendidos em gigantescos mercados Asiáticos. Para satisfazer as nossas necessidades de consumo. Sim, porque quando retiramos da prateleira do supermercado da nossa cidade, vila, aldeia ou bairro, um qualquer produto em troca de meia dizia de euros, não nos podemos ignorar a sua origem.

E é por isso que esperar que o #VaiFicarTudoBem signifique voltar ao que era, poderá significar o nosso maior erro na história da humanidade.

Robb Smith no seu artigo “Deeper Into the Great Release”, alerta para o facto de esta crise que atualmente vivemos, ter tido o seu início em 2008, quando a primeira crise financeira foi um aviso para o que viria em 2013, e que a incapacidade de nos reinventarmos enquanto sociedade, tentando “curar” com Betadine o que estava a infectar o sistema , em vez que fazer uma transfusão total, foi o que nos conduziu ao que vivemos hoje.

É urgente que todos consigamos primeiro suspender a voz do medo que dentro de nós ecoa, deixando de aguardar o futuro como o passaporte para um conforto do uterino. Aliás, tentar prever o futuro é o mesmo que explorar uma gruta com um punhado de fósforos…. simplesmente inútil!

Concentremo-nos já hoje a corrigir as nossas atitudes e decisões do passado, adaptando os nossos pensamentos e ações para um futuro onde definitivamente #VaiFicarTudoBem, significará para o bem de toda a humanidade, algo muito diferente de #VoltarAoQueEra.

Até lá …. #KeepDreaming

Texto da Autoria de Rui Loureiro Mentor do Projeto Sonhadorismo