Desde o seu início que sou fascinado pelo projeto Village Underground Lisbon. Um um espaço de cowork para atividades criativas e ainda palco para eventos culturais, situado em Alcântara, composto por 14 contentores marítimos e 2 autocarros desativados. A ideia importada de Londres por Mariana Duarte Silva, pareceu-me desde logo tão arrojada e inovadora, que imaginava que todo o processo de implementação do projeto tivesse sido simples e de fácil concretização. No entanto bastou ouvir uma entrevista da Mariana na rádio, para perceber que por vezes o óbvio não é assim tão óbvio e mesmo os projetos à partida vencedores têm de lutar muito para sobreviver. Foi o que fez Mariana, lutou durante 5 anos por um sonho hoje concretizado!
1. Quem  é a Mariana ?
R: Lisboeta de 36 anos, filha de António e Maria da Nazaré, segunda irmã mais nova de 7 irmãos, mulher do Gustavo e mãe do Lucas, do Nuno e do Miguel. Fundadora da Madame Management e co-fundadora do Village Underground Lisboa. Não sei cozinhar mas sei fazer outras coisas, como por exemplo jogar (muito bem) matraquilhos.
2. O avançar para o projeto da VUL foi para ti uma decisão baseada na razão ou intuição?
R: 100% intuição. É uma sorte que esteja a dar certo.
3. Após o entusiasmo inicial alguma vez as incertezas e vulnerabilidades a que te “abriste” te fizeram pensar em desistir?
R: O processo de por de pé do VUL demorou 5 anos. Foram 5 anos de luta e  de incerteza , mas essa incerteza nunca era minha, mas sim de todas as pessoas à minha volta (excepto o meu sócio inglês e meu marido). Na altura eu falava com as pessoas sobre o projecto e elas simplesmente não percebiam, não queriam perceber ou ignoravam. Muitas portas se fecharam. Mas algumas janelas se abriram. Devo aos meus parceiros terem acreditado e ajudado a concretizar, à Carris, à CML, ao Montepio e à Amorim/Gyptec.
Não houve um único dia nesses 5 anos em que eu tenha desacreditado no VUL ou sequer ter pensado em desistir. Nunca. Isso ainda hoje me surpreende e ajuda-me a trabalhar todos os dias. Se há dias menos bons, ou dias cheios de problemas, eu sei que fazem parte do processo, tento passar por eles, aprender alguma coisa e avançar.
4. O que mudou na tua vida desde que te dedicaste a este projecto?
R: Não foi uma mudança radical porque já com a Madame Management eu tinha uma vida bastante “agitada” e muito pouco rotineira. A principal diferença é que o meu posto de trabalho passou a ser um contentor, a minha sala de reuniões é um autocarro e almoço dentro de outro autocarro, convertido em Cafetaria. Relaxo nos momentos de stress no baloiço do Village ou vou até ao estúdio de som do meu marido (metalbox.pt, também no Village) ouvir uma música nova ou simplesmente desabafar. A principal diferença é que ao mesmo tempo que nasceu o Village nasceu o meu segundo filho, e agora o terceiro, por isso tenho a companhia deles às vezes no trabalho. Isso é excelente!
Finalmente tenho também o que sempre quis, um espaço meu onde posso programar o que bem entender, em termos artísticos, arriscar um pouco mais ou simplesmente convidar amigos para um bom almoço ou um copo.
A possibilidade de criar uma comunidade criativa e ver os sonhos de cada vez mais pessoas serem concretizados também é algo novo desde que criei o VUL.
5. O que dirias a alguém que deseja iniciar um projeto, mas que sistematicamente o adia por não ter certezas de que o mesmo possa ter sucesso?
R: É difícil explicar, se eu tivesse uma fórmula seria muito feliz ao poder partilhá-la com o mundo e assim ver crescer mais e mais projectos. Mas basicamente passa por não pensar muito. Eu sei que pode soar a “pouco sério” mas acredito mesmo que, depois de um plano de negócios minimamente credível , tem mesmo de se passar à ação.
6. Quais as tuas maiores fontes de inspiração?
R: O meu pai e o meu sócio inglês, Tom Foxcroft, que criou o VU em Londres são os principais.  Depois admiro muito o trabalho feito e a capacidade de inovação e sustentabilidade do sucesso do Manuel Reis do Lux e a criatividade e capacidade de gestão do Diogo Ruivo que criou o boom festival (e agora a equipa que o faz desde que foi vendido, o Artur e a Mariana).
7. Até ao momento qual a pessoa mais inspiradora que tiveste a oportunidade de conhecer através do teu projeto?
R: A vereadora Graça Fonseca da CML pela sua frontalidade, rapidez e capacidade de resposta, mesmo que integrada numa instituição que pode ser muito lenta e pesada (CML).
8.Se não fossem os projetos VUL e Madame Management o que te imaginarias a fazer?
R: A viver numa ilha deserta com o meu marido, os meus irmãos e pais, a minha avó e 10 filhos! Cheia de livros e um computador para ver filmes.
9. Qual o Teu maior motivo de orgulho ?
R: O trabalho desenvolvido pelos mais de 50 profissionais e criativos que desenvolveram projectos dentro dos 14 contentores e nos dois autocarros que compõem o Village Underground Lisboa.
10. Se pudesses gritar alguma coisa para o mundo seria?…….
R: FAÇAM!
11. Qual o próximo sonho da Mariana?
R: Ter uma filha.
#KeepDreaming