Segunda Guerra-Mundial – uma altura ideal para se comprovar a frase que diz que “são os momentos que fazem o Homem”, contrastando com aqueles que acreditam que “é o Homem que faz os momentos”; há casos em que acontece uma, há outros em que acontece o outro caso.
E o 1º caso, como também a vida neste planeta, poderiam ter sido diferentes se a este mundo não tivesse vindo Alan Turing. O que pensam que poderia ter acontecido se o conflito se tivesse prolongado por mais 2 anos ou 14 milhões de vida não tivessem sido poupadas? Mas afinal, como fez ele isto?
Em 1939, logo após a Alemanha ter declarado guerra ao Reino Unido, Turing foi chamado pelo Ministério da Guerra inglês para se juntar a outras das mentes mais brilhantes do seu país com o objetivo último de decifrarem a máquina alemã “Enigma”. Turing cursou em Cambridge e tornou-se um dos mais novos “Fellows” de sempre na história da lendária instituição universitária, conquistando rapidamente o estatuto de “génio” entre os seus pares (será que alguma vez teve pares?). Juntos, em Bletchey Park, começaram a trabalhar numa operação “hiper secreta” que contava inclusivamente com o MI5 e a sua ação nunca foi conhecida até ao início da década de 80, quando o tema voltou a surgir na sociedade britânica.
Mas como quebrar o código indecifrável que a máquina alemã Enigma emitia todos os dias e mudava a cada 24h? Este código ditava como é que era feita a comunicação (braille) entre as tropas nazis e seus aliados e nem os cérebros mais geniais das terras de Sua Majestade chegavam para decifrar (“manualmente”) este código que estava sempre a mudar. Quase passado dois anos nisto, Turing começou a construir uma máquina – porque só uma máquina poderia derrotar uma outra máquina, defendia ele – e mesmo que todos os outros a pensar que aquilo era uma perda de tempo exuberante, este continuou e nunca perdeu a obstinação. A máquina, que ele apelidou de “Christopher”, em honra do seu primeiro e único amor, ainda nos tempos do ensino básico – Christopher Morcom – que morreu na mesma altura de tuberculose bovina, deixou uma marca indelével na vida de Alan, como ele carinhosamente o chamava. Foi este que lhe deu o primeiro livro sobre códigos e criptologia, áreas pelas quais Turing se apaixonou imediatamente.
Contra tudo e contra todos, após ter sido ostracizado pelo resto do grupo de trabalho de Bletchey, após ter sido demovido do cargo de líder desse mesmo grupo, o dia chegou e em 1943 o código foi decifrado e o curso da guerra (e do mundo) mudou para sempre.
Se a história acabasse aqui tudo corria bem, mas os génios têm sempre algum “problema” sobretudo segundo a época em que vivem ou a sociedade que lhes é coeva, mas o problema que ele tinha era ser homossexual. A sua homossexualidade (que era crime em Inglaterra até 1964) levou a que o mesmo, quando julgado por “crimes de indecência”, optasse por castração química e não por ir para a cadeia. O mesmo teve consequências super-nefastas na sua vida levando-o a morrer isolado junto dos seus trabalhos inéditos.
Alan Turing é eventualmente o maior herói da 2ª Guerra Mundial e é o precursor da computação moderna que me permite a mim estar hoje a escrever este texto e a contar-vos esta história. Em 24 de dezembro de 2013, Alan Turing recebeu o “perdão real” da Rainha Isabel II, mas tanto mais deveria ter sido feito para que a sua vida tivesse sido devidamente celebrada.
“Por vezes são as pessoas de quem ninguém imagina nada que fazem as coisas que ninguém sequer imagina.”
Texto da Autoria de Diogo Rodeiro, Gestor de Conteúdos do Projeto Sonhadorismo







Leave A Comment
You must be logged in to post a comment.