1. Quem é o Diogo Rodeiro?

R: Sou um jovem de 22 anos que acredita que a solução para um mundo melhor advém de uma incessante busca por sabermos as respostas para as perguntas que ninguém faz. Porque a verdadeira riqueza do Mundo não está onde se pensa que está e porque é preciso desvendar isso mesmo. Falar das crises no Mundo sem falar em algumas das suas soluções é a via para a paralisia e não para o progresso; sou um Habitante do Mundo que simplesmente assiste à transmissão do legado da miséria humana, e não o seu oposto. Quero tentar (in)formar-me ao máximo para poder ser uma das vozes mais proeminentes nesta causa de trazer luz de volta à Terra pois o mesmo significa conhecimento, progresso.

2. Quais as tuas Paixões?

R: Conhecimento. Educação. Cultura. Debate (Competitivo). Novas culturas e desafios. Consciência. Atitude Positiva. Changemakers. Literatura. Sincronicidade. Arte. Liberdade de Expressão. Democracia. Aude Sapere. Geração de Impacto. Uma boa conversa. Filosofia. Comida. (Festivais de) Música (Eletrónica). Amigos.

3. Para quem não sabe o que é o UCIMUN?

R: O UCIMUN foi a primeira simulação Internacional das Nações Unidas em meio académico do país. O University of Coimbra International Model United Nations é um evento em que o debate e improvisação são usados por estudantes que se candidataram a representar um diplomata de um certo país. Os Model United Nations são um formato pré-estabelecido que começou em Harvard há mais de 50 anos e que desde então é replicado pelo Mundo inteiro, embora em Portugal nunca se tivesse verificado. O objetivo é que os “diplomatas” nos Comités onde desenvolvem as suas sessões consigam criar uma Resolução para combater as problemáticas em discussão.

4. De que forma pretendem que este evento crie impacto?

R: Da forma mais direta possível e foi o que conseguimos – durante 4 dias, cerca de 70 jovens nacionais e internacionais (de cerca de 10 países) sentiram na pele o que Coimbra ofereceu e tem para oferecer. A capital mundial da Saudade é uma cidade com um charme inefável e que consegue causar moça a quem passa. Se aliarmos isto à boa disposição e à capacidade anfitriã intrínseca às suas gentes, o resultado ficou consubstanciado em muitos pedidos que recebemos depois do evento terminar “Façam o UCIMUN para o ano!”, muitos participantes pediram.

5. Já estiveste envolvido em outros projetos, associados ás tuas paixões?

R: Felizmente já. Joguei 10 anos Futebol quando achava que o Futebol seria o meu futuro. Depois de ter vindo de Erasmus (onde desenvolvi um projeto apenas e só pessoal), por ter procurado, ou mesmo sem procurar, tenho-me envolvido em eventos que me têm trazido muito do que sou hoje. É esse o principal prémio de nos metermos de cabeça em projetos que muitos duvidam mas que no final acabam por se “auto-recompensar” por uma conversa, um contacto, um agradecimento ou um sorriso de estupefação perante algo que fizemos, dissemos ou mostrámos – algumas das verdadeiras recompensas da Vida.

6. Qual a pessoa mais inspiradora que conheceste até hoje?

R: Felizmente já conheci muitas e não é fácil de nomear uma. Mas a força da Temi Mwale do The4FrontProject de Londres é inexplicável. Aos 16 anos o melhor amigo dela (um jovem negro, tal como ela) foi baleado e por isso ela criou este projeto de “alerta” (awareness) para que menos jovens sejam mortos injustamente. O relato foi tão real e tão em primeira pessoa que foi impossível de não ficar assoberbado por ele. Para além disto a Temi veio de um bairro social dos arredores e acabou de, há 2 meses, se licenciar em Direito pela London School of Economics, uma das melhores universidades do Mundo (valha o que valha). Parece fácil, não é?

7. Neste momento encontras-te em Londres. Conta-nos um pouco sobre essa nova aventura e quais as tuas expetativas.

R: Naturalmente insatisfeito com apenas a licenciatura, tentei procurar uma especialização daquela que foi a temática que durante a mesma despertou em mim mais interesse: a Economia Política (Internacional). Isto porque percebi, não à primeira, mas da segunda vez que fiz a cadeira porque à primeira não consegui, que é, infelizmente, a Economia que domina o Mundo, porque assim a quiseram. Tendo a minha família emigrado antes de mim, tive de procurar dentro da oferta londrina que mestrados existiam e felizmente consegui encontrar um que me parece que irá encher as medidas e permitir ganhar bases de pensamento crítico para poder combater o sistema injusto criado pela ordem mundial atual.

8. .Muito se tem falado dos millenials e da forma como estes encaram o Mundo. da tua experiência e como millenial que és, consideras que estão mesmo comprometidos em criar impacto positivo na sociedade?

R: É muito engraçado o que se tenta augurar para o Millenials. O que quer que seja, é a herança mais indesejada de sempre e também a mais pesada. A minha geração tem o pequeno desafio de libertar a Humanidade de todo o Mal que tem acontecido nos últimos milénios sem nenhuma repercussão para os seus perpetradores. O que nos temos apercebido é que as antigas estruturas da Sociedade têm vindo a desaparecer – pelo menos em importância – e temo-nos dedicado ao Learning by Doing ou então ao Doing by Learning. Estamos ainda longe de ter uma organização transversal e universal – afinal a Globalização favorece o quê senão o Bem que dela pode sair? – e as atrocidades continuam a acontecer. O que me parece também é que a maior consciencialização que alguns membros têm pode ser o principal catalisador para que movimentos mais profícuos e mais revolucionários existam. É que se não nos organizarmos, a água vai escassear. O buraco (da Camada de Ozono) aumenta. Os pólos derretem. A maior crise de Fome (no Iémen, em 2017) continua. E todos aqueles que nunca viram o Mundo, continuaram a não poder vê-lo. “Quando eu nasci todas as frases que haviam de salvar a Humanidade estavam escritas. Só faltava uma coisa, salvar a Humanidade” disse Almada Negreiros. Pois é, quer ele e quer muitos dos seus coevos ou colegas antepassados estão mais (ou deveriam estar) na Moda do que nunca. Espero que consigamos; se os poderes ocultos do Mundo não derem cabo dele primeiro.

9. O que dirias a alguém que constantemente adia os seus sonhos / projetos?

R: É uma questão para toda a Vida e por isso é a Vida em si, já dizia Adriano Moreira. E o que parece por vezes espantoso é isso mesmo: o facto de o corpo humano e a vida que ele leva ser tão dificilmente complexa e distinta de todos os outros/as. O problema está nos dias de hoje, em que somos incentivados a partir do quase nada, não tendo ou encontrando almofadas que nos permitem muitas vezes dar um “meio-passo” numa aventura a que nós decidimos chamar Sonho. Já houve épocas em que isso aconteceu e os todos os índices mundiais estavam melhores (de Desenvolvimento Humano, de Riqueza, de Saúde, etc…) e isso hoje em dia não se verifica tanto. Caso a desculpa que a pessoa apresente seja apenas suor e trabalho, então nesse caso sim é algo indesculpável. As maiores conquistas do Mundo foram atingidas por pessoas que não sabem o quão perto estavam do falhanço e mesmo assim tentaram. Alguns ficaram dementes na tentativa (Nietzsche), outros tentaram milhares de vezes (Edison), alguns não foram devidamente reconhecidos (Tesla) mas de uma forma ou de outra estão na História do Mundo. Simplesmente façam justiça poética a vocês mesmos e tentem de dia para dia melhorar o que quer que possa ser melhorado.

10. Qual o próximo Sonho do Diogo?

R: As perguntas mais difíceis são as que vêm no final… Eu espero sobreviver apenas e só, de uma forma sã, ao meu próximo “grande” desafio. Se pelo meio aparecerem alguns projetos, ficarei contente e tentarei deixar uma marca. Talvez o meu Sonho seja ir sonhando aos poucos e poucos para no final sentir que o atingi. Muitos estão a ir rápido para lado nenhum; a direção é muito mais importante que a velocidade. Espero conseguir tornar-me num Construtor Social para poder impactar imensas pessoas em todo o Mundo.

Fique a saber mais sobre o UCIMUN .

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