E quando somos presentes ao Tribunal das Memórias? Conseguimos enfrentar o nosso próprio julgamento? O julgamento que, afinal de contas, tem de ser um exercício feito apenas e só por nós, não havendo nenhum outro juíz. Raras são as auto-análises levadas a cabo durante a nossa existência. Existimos (mas não vivemos) e a vida passa.

Embora o tribunal se encontre ao fundo de um poço, como aquele que se encontra na Quinta da Regaleira em Sintra, vacilamos antes de iniciar a descida. Talvez o façamos pois sabemos que para voltar para cima não só o caminho é a subir, como também podemos voltar tremendamente molestados; com nódoas negras, exaustos; e sobretudo diferentes. Por isso rejeitamos em quase todos os momentos da nossa vida a reflexão sobre onde estamos, o porquê de estarmos aqui e onde deveremos ir. Sem qualquer vestígio pessimista, só nós é que sabemos.

Não há ninguém que saiba qual é o nosso poço, ou o nosso tribunal porque os juízes de nós somos nós mesmos. E se existe então um desígnio último para a Educação é este: o de nos dotar de ferramentas para que possamos ter a capacidade de nos questionarmos e de voltar das escadas íngremes, não sem marcas, mas mais completos ainda.

É por isso que Sócrates, na Grécia Antiga, um ser humano totalmente analfabeto – não sabia ler nem escrever – disse “conhece-te a ti mesmo”. Foi este mesmo humano que iniciou uma era do pensamento europeu e que, em conjunto com os seus discípulos, nos ensinou mais do que aquilo que hoje em dia sabemos.

A sabedoria está em vias de extinção, mas só fazendo perguntas e obtendo respostas é que pode o Homem ou a Mulher, sonhar.

Texto da Autoria de Diogo Rodeiro, Gestor de Conteúdos do Projeto Sonhadorismo