Cidadania é por definição a prática dos direitos e deveres de um(a) indivíduo (pessoa) em um Estado. Cidadania é ainda o conjunto de direitos, meios, recursos e práticas que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo.

Basicamente o exercício da Cidadania é o que nos garante ou deveria garantir que a Sociedade se rege pelos interesses dos seus Cidadãos. Isto era como deveria ser, mas pelo menos em Portugal e na maioria dos Países não é. E não é, essencialmente, por que não temos tempo. E não temos tempo porque estamos demasiado ocupados a trabalhar, para comprar algo que nos preencherá (momentaneamente) o vazio criado por …. não termos tempo. E assim a Sociedade evolui ao ritmo dos interesses de uma minoria que não representa de todo aquilo que a maioria desejaria para si e para os seus.

Geralmente, na sociedade em que vivemos, aqueles que têm tempo são desocupados ou pouco interessados. Inofensivos portanto.

Não é suposto haver pessoas com capacidade e tempo para se dedicarem à cidadania. E quando os há …. são malucos. São tratados como malucos por aqueles que explorando os outros se sentem ameaçados nos seus direitos adquiridos, e por aqueles que não tendo coragem de ser “malucos” se sentem invejosos.

Onde já se viu, dois indivíduos, saudáveis, inteligentes e com bons conhecimentos, sacrificarem-se pelo exercício da Cidadania?!

A inspiração para este pensamento surgiu há alguns dias, após uma troca de ideias com um amigo meu, reconhecido e galardoado Arquiteto de renome internacional, que há uns anos tomou a consciente decisão de deixar para trás um trabalho estável, pela incerteza do exercício da Cidadania. Fê-lo com outro grande amigo, o Eurico Gonçalves, dedicando-se ambos ao projeto de Cidadania SOS Cabedelo.

O Projeto SOS Cabedelo tem duas mentes brilhantes ao serviço da sociedade, na denúncia e combate de um gravíssimo problema que é a erosão costeira, e a forma criminosa como os sucessivos governos têm permitido que este assunto seja “resolvido”.

Seria de esperar que todos os envolvidos aproveitassem o conhecimento e a disponibilidade que o Miguel e o Eurico têm para emprestar, em prol do bem comum. Mas infelizmente não é assim. São malucos ….. E dos perigosos !! Onde já se viu, dois indivíduos, saudáveis, inteligentes e com bons conhecimentos, sacrificarem-se pelo exercício da Cidadania?!

Como me disse o Miguel: “um gajo como eu não é suposto estar fora do sistema”. O Miguel e o Eurico estão fora do sistema porque são livres e hoje em dia quem é livre é maluco!

Mais malucos são precisos. Até lá … #KeeDreaming

Texto da Autoria de Rui Loureiro Mentor do Projeto Sonhadorismo