Se não é quando paramos, quando fazemos uma pausa, quando é que temos tempo para pensar? Como diz Albert Camus algures num dos seus cadernos de anotações “Tu precisas de respirar. E tu precisas de ser.” Para ser precisamos de respirar, mas quando arranjar tempo para tal coisa?

A velocidade com a qual o nosso dia-a-dia tem vindo a ser dotada é uma velocidade anormal, e por isso mesmo não natural, não biológica; somos obrigados a “correr” sem destino. Não faz parte da experiência humana correr sem destino! Por isso mesmo temos de, se não em todas pelo menos em algumas alturas da nossa vida, ser apologistas do Ócio.

O Ócio é o contrário do negócio. O negócio é o que nos faz galopar em vez de andar; a correr ao invés de caminhar. Só quando se caminha é que harmoniosamente temos o respirar a fluir para o cérebro, para que o acto de pensar seja permitido. Muita da nossa existência, sobretudo nos dias que correm, passa por fazermos este exercício, que na realidade é um exercício invertido.

O de voltarmos atrás nas nossas vidas para que possamos descobrir de novo o acto de caminhar. (Se alguns querem correr, e eles existem em não tão-pouco número, deixem-nos chegar à meta que nunca vai estar à espera deles). Porque nós precisamos de caminhar. E precisamos de pensar.

Texto da Autoria de Diogo Rodeiro, gestor de conteúdos do projeto Sonhadorismo