No outro dia numa conversa de circunstância, afirmei que tinha vivido o sentimento de felicidade total em três períodos da minha vida. Entenda-se por períodos de pelo menos 12 meses. Ou seja, em quase 21 anos de vida adulta, vivi plenamente feliz, completamente alinhado com o meu propósito, apenas em 3 períodos mínimos de 12 meses da minha vida. Foram períodos em que se alguém me perguntasse o que mudaria na minha vida eu responderia… “nada”!

Eu considero que fui plenamente feliz poucas vezes, tendo em conta os meus 21 anos de vida adulta… No entanto quem me ouvia, surpreendeu-se e disse que nunca tinha experienciado tal coisa. Ou seja, nunca tinha sido plenamente feliz…..

Naquele momento senti uma enorme compaixão por aquela pessoa e pelo facto de nunca ter experienciado essa plenitude e conexão total com o seu propósito de vida. Imagino que aquela pessoa possa ter tido o pensamento inverso, considerando-me um afortunado por ter já sido plenamente feliz.

No entanto e apesar de eu considerar que é preferível ser-se plenamente feliz uma vez na vida a nunca o ser, há um preço associado a essa felicidade … “a maldição de ser-se feliz”!

Quem já conheceu o sentimento de felicidade plena, sabe que o mesmo não dura para sempre, mesmo que as condições e o meio onde nos encontramos não tenham mudado. De repente, sem sabermos muito bem porquê, esse sentimento desvanece até desaparecer completamente sendo substituído por um enorme vazio.

E aí começa a maldição da busca por esse sentimento…. Passamos a gerir a nossa vida em busca desse bem estar, dessa sensação de unicidade e conexão plena com vida. Em busca da sensação de acordar com a certeza do que estamos aqui a fazer.

Mas não existe uma fórmula ou receita para isso. O sentimento de felicidade plena surge ou constrói-se de forma mais ou menos aleatória. Muitas vezes desespera-se na busca desse sentimento. Pensamos que juntando a peça x á peça y e z o sentimento aparecerá. Mas infelizmente não.

Somos obrigados a entregar-nos à incerteza de porventura nunca mais experienciarmos tal felicidade. E esse é um sentimento terrível. Como podemos nós aceitar a nossa existência, afastados de algo tão maravilhoso e redentor como sentimento de felicidade plena?

Habituar-mo-nos à Sub Felicidade será a solução?!

Eu acho que não!

Prefiro acreditar que devemos continuar a lutar por nos mantermos o mais perto possível da nossa verdade enquanto indivíduos, na esperança que o aleatório nos devolva novamente esse sentimento.

#KeepDreaming

Texto da Autoria de Rui Loureiro Mentor do Projeto Sonhadorismo